Olá!
Você já parou para pensar em quantas histórias cruzam o seu caminho todos os dias?
Cada pessoa que você encontra no trabalho, na rua, em casa, carrega consigo uma narrativa única, cheia de camadas, contradições e profundidade. Mas quantas vezes você realmente vê essas pessoas? E, mais importante: quantas vezes você realmente se vê?
Bem-vinda(o) à Edição 3 da Newsletter Minha SelfStory, Minha Vida, nossa primeira edição de ROTEIROS DE REFERÊNCIA.
Como expliquei na newsletter introdutória, "Roteiros de Referência" são livros essenciais que funcionam como obras inspiradoras para você escrever o roteiro da sua própria vida. Assim como roteiristas de cinema, seriados e novelas estudam grandes obras para criar suas histórias, você vai usar esses livros para iluminar sua jornada de autoconhecimento.
E hoje, vamos começar com um livro fundamental: "Como ler as pessoas", de David Brooks.
Por que este livro agora?
Antes de escrever sua SelfStory, você precisa aprender a ler, não apenas os outros, mas principalmente a si mesmo(a).
David Brooks, jornalista e comentarista do The New York Times, escreveu este livro como um guia para desenvolver o que ele chama de "visão iluminadora", a capacidade de enxergar além das aparências e compreender as motivações, medos, sonhos e contradições que moldam uma pessoa.
E por que isso importa para sua experiência no Universo SelfStorySM?
Porque antes de pensar em interpretar melhor e escrever a sua SelfStory, você precisa desenvolver a habilidade de olhar para dentro com honestidade e profundidade. Você precisa aprender a "ler" sua própria história, reconhecer seus padrões, identificar suas máscaras e descobrir quem você realmente é por trás das narrativas que construiu sobre si mesmo(a).
Este livro é o primeiro passo dessa preparação.
O que David Brooks nos ensina?
Em "Como ler as pessoas", Brooks nos convida a ir além do óbvio. Ele argumenta que vivemos em uma era de "cegueira moral e emocional", onde nos acostumamos a julgar as pessoas por suas ações superficiais, sem tentar compreender as forças internas que as movem.
A tese central do livro é simples, mas poderosa:
"Para entender alguém, você precisa ver não apenas o que essa pessoa faz, mas por que ela faz. E para isso, é preciso desenvolver empatia, curiosidade e a coragem de olhar para as sombras, tanto nos outros quanto em si mesmo."
Brooks divide o livro em capítulos que exploram diferentes aspectos da natureza humana:
1. A arte de ver as pessoas
Brooks começa mostrando como a maioria de nós vive no "piloto automático", fazendo julgamentos rápidos e superficiais sobre os outros. Ele nos desafia a desacelerar e realmente observar, não apenas o que as pessoas dizem, mas como dizem, o que não dizem, e o que suas escolhas revelam sobre seus valores e medos.
Exemplo do livro: Brooks conta a história de uma mulher que ele observou no metrô. Ela estava lendo um livro antigo, com páginas amareladas e anotações nas margens. Ele percebeu que ela segurava o livro com cuidado, como se fosse um tesouro. Aquele simples gesto revelou algo profundo: ela valorizava o conhecimento, a história, a conexão com o passado. Sem trocar uma palavra, Brooks "leu" uma parte importante da história daquela mulher.
Reflexão para você: Quando foi a última vez que você realmente observou alguém, ou a si mesmo(a), com essa profundidade?
2. As camadas da personalidade
Brooks explora a ideia de que todos nós temos múltiplas camadas:
A persona pública: o que mostramos ao mundo
A persona privada: o que mostramos a pessoas próximas
O eu secreto: o que escondemos até de nós mesmos
Ele argumenta que para "ler" alguém (ou a si mesmo), é preciso ter a coragem de explorar essas três camadas.
Aplicação prática: Pense em você. Qual é a diferença entre:
Como você se apresenta no trabalho?
Como você é em casa, com pessoas próximas?
Quem você é quando está completamente sozinho(a)?
Essas diferenças não são necessariamente falsidade. São adaptações. Mas reconhecê-las é o primeiro passo para entender sua própria narrativa.
3. A importância da empatia radical
Brooks defende que a verdadeira compreensão de uma pessoa exige empatia radical, a capacidade de se colocar no lugar do outro, não apenas intelectualmente, mas emocionalmente.
Ele cita exemplos de grandes biógrafos, terapeutas e líderes que desenvolveram essa habilidade. E mostra como a empatia não é apenas "ser bonzinho", é uma ferramenta de compreensão profunda.
Para sua SelfStory: A empatia radical começa com você mesmo(a). Você consegue olhar para suas falhas, seus medos, suas contradições com compaixão? Ou você se julga com dureza?
4. Os padrões que nos definem
Um dos capítulos mais poderosos do livro explora como todos nós temos padrões de comportamento que se repetem ao longo da vida. Brooks chama isso de "o roteiro invisível", as crenças e narrativas que carregamos desde a infância e que moldam nossas escolhas, muitas vezes sem que percebamos.
Exemplo do livro: Brooks conta a história de um homem que sempre sabotava relacionamentos amorosos no momento em que eles começavam a ficar sérios. Ao explorar sua história, descobriu que, quando criança, ele havia sido abandonado pela mãe. Inconscientemente, ele repetia esse padrão, abandonando os outros antes que pudessem abandoná-lo.
Reflexão para você: Quais padrões você repete? Que "roteiro invisível" você está seguindo sem perceber?
5. A coragem de mudar a narrativa
Brooks termina o livro com uma mensagem de esperança: não somos prisioneiros dos nossos padrões. Podemos reescrever nossa história. Mas para isso, precisamos primeiro reconhecer o roteiro que estamos seguindo.
E é aqui que começa a base da metodologia SelfStory SM que criei.
Como este livro fortalece sua Metodologia CENA
A Metodologia CENA que criei para o Planner SelfStory SM tem quatro etapas: Conectar, Extrair, Narrar e Alinhar. E "Como ler as pessoas" é essencial para todas elas:
C – CONECTAR
Antes de conectar com suas raízes e valores, você precisa aprender a se ver com clareza. O livro de Brooks ensina você a olhar para si mesmo(a) com a mesma curiosidade e empatia que você usaria para entender outra pessoa.
E – EXTRAIR
Para extrair os momentos mais significativos da sua vida, você precisa reconhecer padrões. Brooks mostra como identificar esses padrões – os "roteiros invisíveis" que moldam suas escolhas.
N – NARRAR
Narrar sua história com autenticidade exige que você vá além da superfície. Brooks ensina a arte de ver as camadas – e isso é essencial para escrever uma narrativa profunda e verdadeira.
A – ALINHAR
Para alinhar sua história com seu futuro, você precisa ter a coragem de reescrever o roteiro. E isso só é possível quando você reconhece o roteiro que está seguindo agora.
Em resumo: Este livro foi uma fonte de pesquisa muito importante para lapidação da metodologia SelfStory SM.
Exercícios práticos: minidesafios de aquecimento para pegar as rédeas da sua SelfStory nas suas mãos
Para aquecer, experimente estes exercícios inspirados no livro de David Brooks. Eles vão te preparar para o nível de introspecção que uma experiência biográfica ancorada na metodologia SelfStory SM vai exigir de você.
Exercício 1: Observe alguém (e a si mesmo)
Escolha uma pessoa próxima, pode ser um familiar, um colega, um amigo. Durante uma semana, observe-a com atenção. Não julgue, apenas observe:
Como ela fala?
O que ela valoriza?
Que padrões você percebe?
Depois, faça o mesmo exercício consigo mesmo(a). Observe suas próprias escolhas, reações e padrões. Anote o que descobrir.
Por que isso importa: Este exercício desenvolve a "visão iluminadora" que você vai precisar para responder às perguntas do planner com profundidade.
Exercício 2: Identifique suas três camadas
Pegue um caderno ou agenda e responda:
Minha persona pública: como eu me apresento ao mundo?
Minha persona privada: como eu sou com pessoas próximas?
Meu eu secreto: o que eu escondo até de mim mesmo(a)?
Por que isso importa: Reconhecer essas camadas é o primeiro passo para escrever uma SelfStory autêntica, não apenas a versão "editada" da sua vida.
Exercício 3: Reconheça um padrão
Pense em uma situação que se repete na sua vida, pode ser em relacionamentos, no trabalho, em amizades. Pergunte-se:
Quando esse padrão começou?
Que crença ou medo está por trás dele?
O que eu ganharia se mudasse esse padrão?
Por que isso importa: porque vai te ajudar a identificar e reescrever esses padrões. Este exercício é um aquecimento para uma experiência ainda mais poderosa.
Perspectiva da biógrafa: por que este livro mudou minha forma de trabalhar
Como biógrafa, meu trabalho é "ler" as pessoas, não no sentido superficial, mas no sentido profundo que David Brooks descreve. E posso dizer que este livro transformou a forma como conduzo minhas entrevistas e escrevo as histórias dos meus clientes.
Antes de ler Brooks, eu fazia as perguntas certas. Mas depois de ler, aprendi a ouvir as respostas de forma diferente. Aprendi a prestar atenção não apenas no que as pessoas dizem, mas no que não dizem. Nos silêncios. Nas hesitações. Nas contradições.
E descobri que as melhores histórias, as mais verdadeiras, estão justamente nesses lugares escondidos.
É por isso que escolhi este livro para abrir nossa série de Roteiros de Referência. Porque antes de escrever sua SelfStory, você precisa aprender a se "ler" com essa mesma profundidade.
Como diz David Brooks logo na introdução do livro:
"Não podemos saber quem somos, a menos que consigamos contar a nossa história. Não podemos ter uma identidade estável, a menos que peguemos nos eventos incipientes das nossas vidas e lhes demos significado, ao torná-los numa história coerente."
Preparando-se para outras experiências no ecosssistema SelfStory
Teremos muitas novidades para 2026, mas que só vão funcionar para quem estiver disposto(a) a se ver com honestidade.
E é por isso que estou compartilhando este conteúdo com você agora. Ele é a preparação. O aquecimento. A base para quem quiser ir mais longe.
O que vem a seguir?
Na próxima edição (que chega em 7 dias), vamos mergulhar em um BASTIDORES DA SELFSTORY focado em: "O poder do físico na era digital".
Vamos explorar porque a escrita à mão é tão poderosa, por que desconectar das telas é essencial para o autoconhecimento.
Até lá, pratique os exercícios desta edição. Observe. Reflita. Prepare-se.
Sua SelfStory está esperando para ser escrita.
Até a próxima edição!
Um abraço caloroso,
Sandra Mello
Biógrafa Roteirista | Criadora da Metodologia CENA
@sandramellosma2
P.S.: Se você ainda não leu "Como ler as pessoas", não se preocupe, esta síntese já te dá o essencial. Mas se quiser se aprofundar, o livro está disponível em livrarias e é um investimento valioso para sua jornada de autoconhecimento.
